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2017 Expansão para o Rio Grande do Sul

Como instrumento de organização econômica da sociedade, o cooperativismo no Rio Grande do Sul tem mais de um século de história. Muitos dos associados da Cooperalfa herdaram de seus pais e avós gaúchos os ideais cooperativistas, apesar de muitos deles não terem lembranças boas de algumas cooperativas do Rio Grande do Sul. Justamente para socorrer uma cooperativa rio-grandense em dificuldades é que a Alfa expandiu sua área de atuação para o Alto Uruguai Gaúcho em 2017. Segundo Cládis Jorge Furlanetto, as análises e reuniões começaram nos primeiros meses de 2016, quando a Cooperativa Tritícola Erechinense Ltda. (Cotrel) procurou a Aurora para que fosse estudada a possibilidade de união com a Alfa. Criada em 25 de setembro de 1957, devido à necessidade de armazenagem e comercialização do trigo, na mesma lógica da Cooperativa Tritícola do Oeste Ltda., citada no primeiro capítulo, a Cotrel cresceu e fomentou a economia na região de Erechim. Além de grãos como trigo, milho e soja, na década de 1980 passou também a atuar nas atividades de suínos e aves. Nos anos 1990, o leite ganhou espaço e, como na região oeste de Santa Catarina, tornou-se uma ótima oportunidade para a permanência de pequenos produtores no campo. Em 2016, a Cotrel tinha em seu quadro social mais de 10 mil associados e atuava em 26 municípios, trabalhando com armazenagem de soja, milho, trigo e cevada; vendendo insumos agrícolas e pecuários; recebendo leite, suínos e aves. Com características agrárias e culturais muito semelhantes às do oeste catarinense, o noroeste gaúcho é um excelente local para a Cooperalfa expandir sua área de atuação e contribuir para o fortalecimento da agricultura familiar. Inicialmente, a Alfa alugou o posto de resfriamento de leite da Cotrel em Erechim. Os trabalhos começaram no dia primeiro de janeiro, mas somente em fevereiro o produtor passou a entregar o leite em nome da Alfa. Até o mês de julho, seis filiais estavam instaladas: Erechim, Barra do Rio Azul, Aratiba, Severiano de Almeida, Gaurama e Viadutos. Além disso, foram adquiridas em 2017 sete unidades de armazenagem de grãos da Sementes Estrela. Sobre a expansão, Cládis Jorge Furlanetto destaca que a Alfa não está assumindo nada de ativo ou passivo da Cotrel, mas fez um contrato de aluguel. Ele ressalta: “É claro que os investimentos serão necessários, mas nada que comprometa a Alfa. O que nos levou a expandir para esta região é a estrutura fundiária: as propriedades têm um perfil parecido com as que nós já trabalhamos, atuando no fomento de suínos e aves, produção de leite e grãos. Muitos agricultores já conheciam a Alfa e estavam ansiosos pela nossa chegada, pois estavam desamparados. O sistema lá está desacreditado, mas estamos trabalhando muito para que o cooperativismo naquela região tenha o mesmo prestígio que tem em outras regiões onde a Alfa atua.” Nessa mesma linha de pensamento, Romeo Bet, presidente da Cooperalfa, chama a atenção para uma “volta às origens” do cooperativismo, pois a grande maioria dos associados da Alfa tem procedência do Rio Grande do Sul. Ele explica que, com as dificuldades que a Cotrel teve, ficou uma lacuna nessa região. Por esse motivo, “Os agricultores, principalmente os pequenos, ficaram desamparados. Como houve uma oferta para fazermos um trabalho lá, aproveitamos a oportunidade. Percebemos que os agricultores e associados da Cotrel tinham um amor muito grande pelo sistema, que estão sentidos pelo fracasso da cooperativa. Mas nossa ida para lá está sendo vista com bons olhos, o pessoal está empolgado, pois conhecem nossa seriedade com os associados, clientes, fornecedores e comunidade em geral. Sem dúvida, Erechim vai se tornar uma regional que vai contribuir muito para a sustentação da Alfa. Estamos indo com calma, pois, como sempre, não vamos
fazer o passo maior que a perna.” Dando suporte à expansão da Alfa, está a Cooper Central Aurora, que anunciou a compra de dois frigoríficos (aves e suínos) da Cotrel em Erechim. Os pecuaristas que estavam apreensivos com a possibilidade de verem seus lotes de aves e suínos sem comprador, com a atuação das duas cooperativas, estão mais seguros. “Segurança” e “alegria” são termos que descrevem o retorno do cooperativismo com base na humanização também para essa região. Sebastião Córdova, de Erechim, entende que, ao analisar a história da Alfa, percebe-se que os gestores não perdem a visão e a seriedade. Para ele, “Esses são alguns dos motivos que dão tanta credibilidade a ela. Nossa família acredita que o cooperativismo é a melhor opção para o produtor rural, pois regula os preços e é uma mão amiga sempre ao nosso lado.”

 

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